Marcos Júnior, o goleador de Yokohama
Quantos jogadores brasileiros já se aventuraram pelo futebol japonês e conquistaram prestígio, títulos e respeito?
Criado na base do Fluminense, Marcos Júnior parece ter se encontrado no Japão. Seu novo clube, Yokohama F. Marinos, é o líder da J-League (Campeonato japonês) a uma rodada do fim, com três pontos de vantagem sobre o segundo lugar (FC Tokyo).
Hoje com 26 anos, o atacante, que veste a 9 do time de Yokohama, é o artilheiro isolado da liga com 15 gols marcados.
Nem todos aqui no Brasil lembram desse jogador. É mais um que cresceu na base brasileira, não obteve tanto espaço e acabou saindo para um time asiático ou para um país europeu menos expressivo na modalidade.
Mas então, como Marcos Júnior saiu de Xerém para Yokohama, até despontar na Ásia?
A história de Marcos Júnior começa em Brasília, em 1993. Os primeiros passos do garoto franzino apaixonado por futebol foram na escolinha do seu tio Alexandre — impulsionador da carreira de Marcos Jr.
Depois de alguns anos conciliando o estudo e o futebol, com a ajuda do tio, Marcos conseguiu, aos 12 anos, uma chance de fazer parte das categorias de base do Fluminense.
Apesar da saudade de casa, e já sem contar com o apoio do seu tio e da família, ele foi forte e começou a se destacar na base do tradicional clube carioca. Sendo artilheiro de algumas competições, apesar do porte físico, ele chamou a atenção da equipe principal.
O contrato com o time profissional foi assinado aos 19 anos. O primeiro gol foi contra o Macaé, no estadual de 2012.
Porém, o ano do sonho de Marcos Jr, apesar do título, não terminou da melhor forma. Depois do título, ele começou a perder espaço e as oportunidades de estar em campo.
Após a passagem pelas seleções sub-18 e sub-20 e com o aumento de salário, a carreira começou a desandar. Festas, bebida… o jovem jogador acabou caindo na armadilha da ascenção econômica no futebol.
Em 2014, ele acabou sendo emprestado ao Vitória da Bahia e, sem sucesso, só chegou a atuar em 10 partidas e não fez nenhum gol.
Para ele, sua carreira profissional só foi começar de verdade em 2015. Realmente, dali em diante, as coisas começaram a melhorar. Mesmo sem ser titular, o atacante marcou o gol do título da Primeira Liga, em 2016.
Os anos foram passando e, em meio a algumas crises no Fluminense, Marcos Júnior foi conquistando certo espaço e criando uma identidade com o torcedor, que mesmo o criticando diversas vezes, entendia o amor que ele sentia pelo clube.
O “DNA tricolor” aparecia estampado na vibração do atleta e nas suas declarações. Quando Gustavo Scarpa saiu do Fluminense através de vários problemas, ele criticou e se mostrou desapontado com o ex-companheiro de equipe. Após escapar do rebaixamento em 2018, ele também se posicionou representando a voz do torcedor: disse claramente que o então presidente Pedro Abad deveria renunciar.
O último ano de Fluminense, 2018, foi o melhor da carreira do atleta no Rio de Janeiro. Carinhosamente apelidado de Kuririn (personagem de Dragon Ball), devido à sua aparência e estatura, Marcos Júnior começou o ano dividindo a artilharia com o centroavante Pedro.
A comemoração do Kamehameha (técnica utilizada por Goku, em Dragon Ball) virou o seu marco, e foi o primeiro contato dele com a cultura japonesa.
Ainda em Abril daquele ano, chegou a primeira intervenção do F. Marinos, que estava interessado em comprar o atacante. No entanto, a proposta foi negada por Abad, que esperava concluir uma renovação de contrato com o jogador.
Com o entrave devido ao tempo de contrato proposto, Marcos Júnior, que já se mostrava descontente com atrasos salariais, a ponto de fazer cobranças a um dirigente no vestiário, deixou o clube em janeiro desse ano, por custo zero.
Uma nova vida no Japão o esperava. Marcos fez parte de um projeto do treinador da equipe — Ange Postecoglou —, que realizou várias mudanças para a temporada 2019.
Em 2018, o F. Marinos era conhecido por ser uma equipe que fazia muitos gols, mas se abria demais. Essa característica, até certo ponto, se mantém, mas o volume de gols marcados aumentou muito nesse ano, principalmente com a ajuda dos reforços brasileiros.
No decorrer da J-League, o ex-jogador do Fluminense foi conquistando seu espaço, fazendo seus gols, inovando nas comemorações e ganhando o apoio e reconhecimento da torcida, do clube e da imprensa.
O atleta passou a ter uma relevância não só para a sua equipe, mas no cenário do futebol japonês. O jeito de jogar do brasileiro, no geral, é diferente. Devido isso, Marcos Júnior foi capa e assunto da revista trimestral Football Critique, na edição 26, cujo tema é “a identidade de futebol mais interessante atualmente”. Na publicação, os críticos do futebol questionam qual é o futebol viciante e agradável.
Além de Marcos Júnior, batedor de pênalti oficial e artilheiro do time, Edgar Junio e Erik foram importantes durante a temporada. O primeiro, está lesionado, já o ex-atacante do Palmeiras, marcou, inclusive, dois gols na última vitória — 4 a 1 no Kawasaki Frontale fora de casa.
Na cola de Marcos Júnior, na artilharia, está Diego, outro brasileiro, mas esse defende o FC Tokyo. Com 14 gols marcados, Diego está logo atrás de Marcos Júnior (15), e seu clube, está três pontos atrás do Yokohama.
O último jogo do Marinos será justamente contra o FC Tokyo, tido no Japão como um evento chamado de “A grande final”. O FC Tokyo precisa de uma boa vitória, e o time de Yokohama joga até pelo empate.
Além do duelo pelo título, Marcos Júnior pode se sagrar como mais um artilheiro brasileiro na J-League, desbancando nomes conhecidos, como Leandro Damião, que já esteve na seleção principal, e até David Villa, ex-atacante da seleção espanhola.
Outro candidato forte ao posto de artilheiro é Teruhito Nakagawa, companheiro de time de Marcos. O atacante japonês chegou a 14 gols e pode ultrapassar Kuririn na última rodada. Além disso, ele é o grande destaque do time na competição, pois é o líder em assistências no campeonato, com 10 passes para gols.
A “grande final” acontecerá no dia 07 de Dezembro, em Yokohama. O Marinos é forte em casa, e está bem próximo de voltar a conquistar a J-League após 15 anos. Marcos Jr já está consagrado com a torcida e com certeza pode dizer que esse é o melhor ano da sua carreira.